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terça-feira, 9 de julho de 2013

Drogas lícitas e ilícitas são tema de debate com os jovens na ALESC

Leonardo Contin

Será que o jovem de hoje está afim de participar de debates com temas polêmicos, que envolvam propostas de políticas públicas para a sociedade? Quem participou do Ciclo de Debates da Juventude na última segunda-feira, 8 de julho, no plenarinho da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, constatou que os jovens de Florianópolis têm vontade de participar desse diálogo.

O evento é promovido mensalmente sempre na segunda segunda-feira. A conversa de ontem teve como debatedores o Padre Luiz Prim, do Centro de Tratamento para Dependentes Químicos Recanto Silvestre, e Ana Luiza Curi Hallal, da Aliança de Controle ao Tabagismo. O mediador foi Jackson Luiz Souza, Presidente do Conselho Municipal de Juventude. Também fizeram parte da mesa o vereador Bispo Jerônimo (PRB) e o Coordenador Municipal de Juventude, Guilherme Pontes.

sábado, 27 de abril de 2013

12 por 8


Rafaela Bernardino

Em comemoração ao dia nacional de combate à hipertensão arterial dicas fáceis de seguir podem ajudar na prevenção

Ontem foi o dia da Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial e como uma ação solidária a todos os interessados sobre a doença, hoje vamos fazer um levantamento de dicas que podem ajudar - e muito -, na prevenção da famigerada. Para começar: vocês sabiam que informações fornecidas pelo Ministério da Saúde garantem que quase 30% da população adulta brasileira tem hipertensão? Pois é, dados alarmantes que não devem ser levados a risca somente por pessoas com mais de 21 anos. As crianças e os idosos também precisam se cuidar. A doença ataca qualquer um que não se preservar bem.

sexta-feira, 8 de março de 2013

O jovem que criou um método para detectar câncer

Jack Andraka, aluno do ensino médio, foi condecorado com o prêmio de primeiro lugar da Feira Internacional de Ciência e Engenharia de Intel, em 2012. Ele desenvolveu um teste para diagnosticar precocemente e com precisão três tipos de câncer, incluindo um dos mais letais: o de pâncreas. 


A Feira Internacional de Ciência e Engenharia é a maior do mundo para pré-universitários. Com prêmios cobiçados e vários concorrentes, quem levou o primeiro lugar foi o garoto de 15 anos Jack Andraka. Filho de pai polonês e mãe americana, Andraka vive no distrito de Maryland, em Washington, onde cursa o ensino médio num colégio chamado North County High School.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Gestos que salvam vidas

Primeiro paciente de um transplante de fígado em Florianópolis, Nilson Roberto dos Santos, concedeu entrevista ao Estopim um ano e três meses após cirurgia

No dia 25 de novembro de 2011, o primeiro transplante hepático foi realizado no Hospital Universitário, na capital de Santa Catarina. Acompanhado pela equipe de médicos Ester Dantas, do serviço de gastroenterologia do HU, e do cirurgião-chefe do Hospital Santa Isabel, de Blumenau, (referência em cirurgias hepáticas), Mauro Igreja, a cirurgia salvou a vida de Nilson Roberto dos Santos, que sofria de cirrose.

Um ano e três meses após a realização da primeira cirurgia de fígado feita na cidade, entrevistei o paciente. A conversa ocorreu por telefone, Nilson além de lembrar a vida antes da cirurgia, falou do pós-operatório e das principais mudanças de hábitos.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O sono no período estudantil

Um problema comum que observo nos estudantes, principalmente nos universitários, é a falta de uma boa noite de sono. Relatarei os problemas que a insônia pode ocasionar na vida dos jovens. 

Para uma pessoa se sentir disposta, normalmente, ela deve dormir por sete ou oito horas em média. Porém, muitas pessoas acabam reduzindo esse número por uma série de fatores. Os jovens, que necessitam de energia para estarem dispostos para dias de trabalhos e/ou estudos, também, por muitas vezes, acabam não descansando tempo suficiente para usufruir com plenitude de um dia atarefado. 

A insônia pode ter causas orgânicas e psíquicas. A produção inadequada de serotonina pelo organismo e o estresse provocado pelo desgaste diário ou por ansiedade e pressões podem ser consideradas causas da falta de sono. Os estudantes vivenciam muito essas situações-limites de prazo de entrega de trabalhos, pesquisas extensas e apresentações. Ao viver pressões estressantes e cansativas, eles podem se preocupar em excesso a ponto de perderem boas noites de sono em detrimento dessas questões. 

A falta de sono também pode ser causada por outros distúrbios sérios, como SAHOS (Síndrome da Apnéia Hipopnéia Obstrutiva do Sono), Síndrome das Pernas Inquietas e Parassonias. Outras condições como Depressão, Transtorno da Ansiedade, Fibromialgia, Dor Crônica, Distúrbios Metabólicos Hormonais (por exemplo, doenças da tireóide), algumas medicações e substâncias (estimulantes, benzodiazepínicos, bebidas alcóolicas) também podem contribuir para a falta de sono ou de vontade de dormir. Como visto, a insônia é uma questão séria que precisa de tratamento, principalmente jovens precisam se precaver e procurar ajuda, já que dias completos podem ser comprometidos e improdutivos por noites mal dormidas. 

A insônia também pode ser definida em três estágios: a inicial, na qual a pessoa tem falta de vontade de dormir e dificuldades para pegar no sono. A de manutenção, na qual a pessoa desperta por diversas vezes durante a noite, e a terminal, na qual a pessoa acorda antes da hora desejada. As três podem prejudicar consideravelmente o sono de uma pessoa, algumas vezes, sendo graves ao ponto de uma pessoa passar noites em claro ou dormindo bem menos das horas necessárias. 

Segundo Drauzio Varella, algumas medidas podem ser feitas para combater a insônia, que é um problema médico que deve ser combatido. Limitar o consumo de cafeína, praticar exercícios físicos (sem ser antes de dormir), procurar atividades relaxantes antes de dormir (como ouvir músicas, ler um livro), tomar um banho morno para relaxar os músculos tensos durante um dia incessante, tomar chás à base de ervas, conversar com médicos sobre as medicações utilizadas (algumas podem causar insônia), etc. Os estudantes precisam entender que o desenvolvimento deles pode ser comprometido por conta de noites de sono perdidas, ajuda e conscientização de que esse é um problema sério. Sempre tive colegas que se queixam de falta de sono como se fosse algo normal, mas é um problema que precisa ser observado mais atentamente. Jovens precisam revigorar as energias para produzir mais, aprender mais e aproveitar melhor os dias.

Felipe Kowalski

sábado, 6 de outubro de 2012

Pronto Atendimento Unimed, na Grande Florianópolis, deixa a desejar

No modo “tartaruga”, o Pronto Atendimento Unimed, localizado em São José, não possui boa estratégia e garante horas de espera

Duas horas e meia esperando para um atendimento que, segundo a Unimed, deveria ser de emergência. Você paga uma sumidade em um plano de saúde e o que recebe em troca é mais incômodo e descaso?

Era uma segunda-feira, perto da 19h30. Estava com dores fortes e resolvi ir ao pronto atendimento Unimed - São José, para resolver o problema. Grande ilusão! Minha impaciência estava longe de ser alcançada e – graças aos remédios para dor -, meu desprazer em adoecer beirava o leve. Entretanto, a sequência de absurdos acarretaram na produção deste texto.

O primeiro absurdo é o fato de o estacionamento permanecer aberto até às 22h, enquanto o atendimento é 24h. O cliente chega lá e já é avisado pelo segurança que: ou coloca seu veículo na rua mesmo ou no estacionamento até o horário em que fecham. Ou seja, você já chega lá sabendo que irá esperar um tempo grande. O doente fica mais preocupado em tirar o carro na hora em vez de ser atendido.

O segundo absurdo é o sistema usado para atender o cliente. Além de pegar a senha para verificar os documentos (é um procedimento comum, mas que já é desgastante para quem está doente), fica-se no aguardo para ser avaliado o “acolhimento de risco”. O sistema funciona assim: você, doente, é chamado para uma avaliação em que é olhada a pressão, a temperatura e se sua feição está aceitável. Não chegou a um minuto (contatos no relógio) a olhadela. Pior, você ganha um rápido “melhoras”. Para quem está em uma situação péssima, isto é suficiente para indignar. Antes de sair, a avaliadora coloca em seu braço uma pulseira com a definição do risco que sua saúde está correndo. A azul é a chamada “não urgente” – significa que você vai mofar na cadeira -, a verde é a “pouco urgente”, a amarela é a “urgência” e a vermelha é “emergência” – significa que você está morrendo de dor, mas ainda passou por uma avaliação em que precisou esperar na fila. Outra coisa interessante a se destacar acerca deste assunto é o fato de que o adoentado que chega depois e possui o risco maior, ganha a prioridade. Ou seja, você que tem a pulseira azul vai ser passado para trás na fila toda a vez que aparecer um caso mais grave.

O terceiro absurdo é a equipe médica que não supre a demanda de pacientes. Havia várias pessoas – algumas sofrendo mais que outras -, e apenas dois médicos de plantão. Segundo a atendente (não citarei nomes), a troca de turno entre os profissionais causam esta pequena falha. Acredito que para quem está sofrendo isto é uma calamidade! Encontrei uma professora do Ensino Fundamental do Colégio Antônio Peixoto, no Estreito, com seu filho adolescente esperando o atendimento há mais de duas horas. Os dois estavam com dores e vários outros pacientes passaram na frente. Muitos, que pareciam em perfeito estado, foram adiantados e liberados, enquanto mãe e filho permaneciam na espera.

O quarto e último absurdo é o atendimento. Sem questionar os merecimentos do médico, esperei cerca de duas horas e meia e em 5 minutos (contados no relógio) fui atendida e liberada. Talvez tenha sido azar pessoal, mas o atendimento não é gentil e levemente superficial. A demora é grande para o retorno ser ruim. Aguardar um grande tempo na fila, a temperatura subir quase dois graus (com o passar do efeito do remédio) e ainda fornecerem uma “hospitalidade” precária? Complicado. Sobre as atendentes não há o que falar, mal humoradas igualmente as do Detran, em Florianópolis. Quase irmãs siamesas.

A ideia do atendimento da Unimed não é ruim, mas faltam pessoas para suprir a demanda. Pecam muito na agilidade e com isso deixam os pacientes sofrendo, irritados e insatisfeitos.

Garanto que este não é o objetivo de uma empresa que possui 367 cooperativas com abrangência em 83% do território nacional. Há reclamações de clientes e a resposta é que existe um novo local de atendimento, desde 24 de maio, na Trindade. O paciente que está na unidade São José vai atravessar a ponte à procura do novo espaço? É interessante a satisfação que é fornecida ao cliente, no entanto o problema continua. Pagamos caro e o sistema não é funcional. “Melhoras, Unimed”.

Crédito das fotos: Rafaela Bernardino
Rafaela Bernardino

domingo, 2 de setembro de 2012

Sobre terapia, viagens e correr

Adoro revistas de mulherzinha. Não sei o que elas têm que tanto me atraem: se é o layout divertido, a abordagem mais descontraída de assuntos mais sérios (sim, revista feminina não é só futilidade!), as fotos lindas, as entrevistas...calma, pera aí! As entrevistas nem tanto. Deixe-me explicar. A maioria das entrevistadas das revistas femininas são celebridades, como você já deve saber, pessoas de bem com a vida, que se dizem super bem resolvidas com tudo e que fizeram (e muitas vezes ainda fazem) terapia por anos. Confesso que nunca entendi muito bem isso: por qual motivo essas pessoas, que devem ter a conta corrente bem mais avantajada que a minha, simplesmente não viajam por aí em vez de conversar com um psicólogo duas vezes por semana?

Acredito que seja muito mais fácil se encontrar e resolver questões que te incomodam se você conhecer coisas e pessoas novas, vivenciar outras situações. E o viajar a que me refiro não significa pegar um avião para Miami ou Las Vegas e passar o dia na Rodeo Drive andando com sacolas da Chanel e do Christian Louboutin por aí (mesmo que isso ajude – mas é só momentâneo, então descarte). As pessoas devem ser viajantes participantes, dá pra entender? E acredito que o maior exemplo disso seja a história (de mulherzinha, novamente!) da Elizabeth Gilbert, autora de Comer, Rezar, Amar, que se encontrou seu lugar no mundo depois de quase um ano viajando por três países.

Preciso deixar claro que, de maneira nenhuma, eu sou contra psicólogos e terapia – eu mesma já fiz e ajudou muito. Mas o que me ajudou de verdade foi uma coisa que eu posso comparar com viajar: correr. Depois de um tempo sofrendo sozinha e parada, quase como se eu tivesse petrificada, entendi que andar ajudava. Sabe por quê? Ir de um ponto A até um ponto B dá a sensação de que você está se movendo, indo pra frente, te faz pensar, refletir, chegar a algumas conclusões. Na época, eu não podia simplesmente viajar (e sei que a maioria não pode), então lá vai uma sugestão: corra. A vida fica muito mais clara depois de alguns minutos ou horas correndo.

Não quero que o meu nome estampe o próximo bestseller de autoajuda, mas tem um parágrafo, de uma escritora, cineasta e artista americana, chamada Miranda July, que eu imprimi e colei junto com algumas fotos que tenho no meu quarto – e que foi o que me inspirou a escrever esse texto hoje. É sobre a vida. E pode ajudar quando você tiver se perguntando coisas sobre a sua existência – o que todo mundo fará um dia, não é?

Você tem dúvidas a respeito da vida? Não está muito certo de que ela valha a pena? Olhe para o céu: ele está lá para você. Olhe para o rosto de cada pessoa com quem você cruzar na rua: esses rostos estão lá para você. E a própria rua, e a terra debaixo da rua, e a bola de fogo lá embaixo da terra: todas essas coisas estão lá para você. Elas estão lá para você tanto quanto para as outras pessoas. Lembre-se disso quando acordar pela manhã e pensar que não tem nada. Levante-se e vire-se para o leste. Agora, celebre o céu e celebre a luz dentro de cada pessoa sob o céu. Tudo bem se tiver dúvidas. Mas celebre, celebre, celebre.
Bruna Carolina

sábado, 7 de julho de 2012

Eu já vi isso em algum lugar

Eu tenho certeza que já passei por aqui antes! Certeza? Vã certeza...

Vamos juntos. Estamos andando na rua, olhando ao redor: as coisas parecem bem, as pessoas continuam aparentemente felizes. Eu olho para um lado, você para o outro. A brisa está batendo em meus cabelos, eu viro para o seu rosto e... “Meu deus, que déjà vu!” Nós continuamos andando e meu cenho já está franzido. A atmosfera parece outra, o mundo parece andar no passado. “Eu já vi isso em algum lugar, eu já vi isso em algum lugar...”

Quem não conhece o famigerado Déjà vu?
O cara que conseguiu explicar isso foi o tal do Susumu Tonegawa, um geneticista e biólogo americano, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). A experiência foi a seguinte: ele fez um ratinho de laboratório com uma parte do cérebro desregulada. Bom, esta parte se chama giro denteado e fica dentro do lobo temporal. Tudo bem, isso é um monte de nome estranho que nem eu consigo entender muito bem, mas continuemos. Dentro desta caixinha, digamos assim, que fica dentro do cérebro, é onde guardamos os fragmentos da memória. Um cheiro, um rosto, um sentimento do passado. E é exatamente aí que acontece a sensação de “eu já vi isso antes, Zé” quando a caixinha pifa. Segundo a ciência, istepô.

Bom, a partir de então, o Susumu resolveu colocar o rato falso com um verdadeiro e ver qual seria a reação dos dois ao ficarem em uma gaiola levando choques. O resultado foram ambos parados. Depois disso, o geneticista trocou-os de gaiola e esperou a reação. Ele chegou à conclusão que o rato da “caixinha” desregulada não conseguia ver que os choques haviam parado, enquanto o outro - com cérebro em perfeito estado -, percebera. Ou seja, o resultado final foi que o fenômeno acontece quando este lado do cérebro dá uma rateada, o que faz você achar que já viu aquilo antes. A sua memória imediata passa diretamente para a de longo prazo, parecendo, então, que está revendo a cena do passado. Visões de outras vidas? Não para eles!

O outro lado da sua querida memória
Se você está satisfeito com esta explicação, só lamento. Os cientistas ainda não consideram esta experiência única e totalmente explicativa. Há muito para se descobrir. Tanto que o meio religioso também tem suas versões a respeito do que seria a estranha impressão de já ter vivido coisas que nunca aconteceram. 

O lado religioso vê o fato como uma visão da vida passada. Suas emoções levam um impacto energético tão grande que forçam sua memória a ter lembranças de momentos pretéritos. Afirmam ainda que objetos, cidades ou residências também possuem seu próprio campo energético – conhecido como egrégora -, levando ao déjà vu dos locais. É mais ou menos como entrar em um restaurante e ter a certeza de já ter ido àquele lugar e conhecer até mesmo as pessoas. Isso parece tenebroso, não é? A coisa pode ficar mais ainda sem explicação. 

Não satisfeito com os resultados, tanto religiosos, como científicos, o psiquiatra Chris Moulin, da Universidade de Leeds, Inglaterra, resolveu procurar pessoas que tivessem o fenômeno com mais frequências possíveis. Pasmem, encontrou, em clínicas psiquiátricas, diversos pacientes afirmando saber de tudo que poderiam acontecer. É uma viagem sem retorno, um déjà vu eterno. Um de seus casos, apresentado por volta de 2000, tinha a certeza de tudo que acontecia nos jornais. Será que isso é prever o futuro? Bom, segundo as tomografias feitas ainda não chegou a era que poderemos saber do momento seguinte. A massa cinzenta do cérebro do paciente atrofiou na região atrás das orelhas (lobo temporal), esta que orienta nosso sensor de memórias. Ou seja, tudo que acontece no presente, o paciente acredita estar no passado. Suas lembranças imediatas passam diretamente para as de longo prazo. 

Os mistérios do corpo humano ou os segredos deste mundo, isso, ainda nada sabemos. O que é verdadeiramente um déjà vu, além de pequenas sensações que nós imaginamos ter? Será elas reais? Isto tudo não pode ser piração de nossa cabeça? Quem garante que os cientistas estão certos? Se pessoas tem a sensação anos antes estar em um lugar e depois realmente acontecer aquilo? Como minha memória pode transformar isso de imediato ao passado? Mistérios e mistérios da vida. Já diziam os sábios: “o que sei é que nada sei”.
Rafaela Bernardino

quinta-feira, 29 de março de 2012

Comunidade Frei Damião na UTI

C. de A. tem 25 anos, é mãe de cinco filhos e mora no bairro Frei Damião, em Palhoça. Desde outubro do ano passado, queixa-se de dores de cabeça e tosse constante, falta de ar, cansaço e perda significativa de peso (em três meses, perdeu 20kg). Já teve tuberculose em 2004 e, em seus exames, consta uma lesão extensa em um de seus pulmões.

Depois de muito tentar sem sucesso, em meados de dezembro conseguiu uma consulta no posto de saúde de Frei Damião, onde foi encaminhada por uma enfermeira para o Posto de Referência em Tuberculose. Neste posto, foi atendida por um Infectologista, que a avaliou e solicitou exame de escarro. O Médico a encaminhou de volta para o posto de Frei Damião, sugerindo que investigasse Asma, pois a Baciloscopia de Escarro havia sido negativa.

Novamente uma batalha para conseguir ser atendida no posto de saúde do bairro onde vive, em Palhoça, para dar continuidade às investigações acerca de seu estado de saúde. Desde dezembro, tentou, em vão, agendar nova consulta, só conseguindo atendimento no início deste mês – praticamente três meses suportando, sem qualquer perspectiva de ajuda do serviço público de saúde, as dores e o mal estar provocados pela doença que possui. Para conseguir ser consultada, foi informada que deveria chegar de madrugada ao posto de saúde para conseguir uma ficha na fila de espera. Ocorre que, além das dores, da falta de ar e da dificuldade para caminhar, C. de A. tem cinco filhos menores, um deles ainda sendo amamentado, e não tem com quem deixar as crianças, eis que seu marido trabalha durante todo o dia.

Através de pessoas amigas, foi agendada uma consulta com um Pneumologista no Hospital Nereu Ramos, onde foi solicitado novamente o exame de escarro. Na última quinta-feira, 22 de março, tomou conhecimento que está com Tuberculose +++ (as três cruzes indicam forte positividade no exame).
C. de A. vive numa casa de dois cômodos com seu marido, os filhos, o sogro e a irmã. Toda a família agora terá que se submeter aos testes para verificar se também não está infectada com o Bacilo de Koch.

A história, fato real que está se desenvolvendo bem perto da Unisul, gera diversos questionamentos: como pode uma paciente com Tuberculose levar quase cinco meses para receber o diagnóstico e iniciar seu tratamento, uma vez que trata-se de uma doença transmissível que necessita de medidas de controle imediatas? Como os profissionais de referência para Tuberculose liberam, sem maior investigação, uma paciente com todos os sinais e sintomas, inclusive história anterior da doença? Durante todo este tempo em que a paciente não foi corretamente diagnosticada, quantas pessoas podem ter sido infectadas pelo Bacilo de Koch, após entrarem em contato com C. de A.? Quantas pessoas estão sem acesso à saúde em Frei Damião, onde deveria haver uma ação efetiva de Equipes de Saúde da Família, com busca ativa, diagnóstico precoce e tratamento supervisionado, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde? Quantos outros moradores do bairro já não morreram por falta de diagnóstico adequado ou, até mesmo, por falta de consulta e orientação médica?

Leonardo Contin da Costa

sábado, 10 de março de 2012

Sonambulando

A maioria dos profissionais da saúde mental se referem ao sonambulismo como um “distúrbio de excitação”. Mas o que isso significa? A ciência ainda não descobriu qual o agente causador, no entanto algo faz com que o cérebro desperte do sono profundo (NREM) e fique no estado entre a vigilância e o repouso. O distúrbio acontece mais em crianças entre de 5 e 10 anos, sumindo gradativamente até a adolescência.

Funcionamento do sono de um sonâmbulo

Antes de mais nada, precisamos entender quais as fases de nosso sono. Quando estamos cansados, sonolentos e deitamos na cama, estamos na primeira fase, chamada REM. A sigla, em inglês, quer dizer “Rapid Eyes Movement” ou “Movimento Rápido dos Olhos”. Ou seja, nessa etapa ocorre o bloqueio dos neurônios motores para que o corpo não comece a gesticular o que está imaginando. É neste momento que ocorrem os sonhos, pois o cérebro está em constante atividade, ainda não conseguindo chegar ao repouso. Dura o início da noite e oscila até o fim com a fase NREM ou NÃO-REM. Esta outra é onde acontece o sono profundo. Nela há uma certa dificuldade em acordar a pessoa, já que seu cérebro cessou as tarefas e está em repouso. Dura cerca de 20 a 40 minutos, voltando aos outros estágios. Resumindo: Na fase REM (movimento rápido dos olhos), temos um cérebro agitado, mas um corpo sonolento. Na fase NÃO-REM (sem movimento rápido dos olhos), seu cérebro está sonolento e seu corpo agitado.

Quando seu cérebro está sonolento e seu corpo ainda com capacidade de movimento é a etapa em que pode ocorrer o sonambulismo (que tem a possilibidade de durar de segundos a meia hora). Durante o dia o corpo e a mente mantêm um constante trabalhar, mas na hora de dormir eles nem sempre caminham juntos. O distúrbio acontece no terceiro e quarto estágio do sono profundo, quando as ondas cerebrais são muito lentas. Com isso, a pessoa pode chegar a sentar na cama, caminhar pela casa, sair dela ou até mesmo causar acidentes. O maior cuidado são os perigos da casa, pois o sonâmbulo tem apenas uma noção parcial do ambiente, podendo cair de escadas, janelas e elevadores.

A famosa história de não o acordar é um mito, mas também não vá assustá-lo. O ideal é levá-lo devolta para a cama e deixá-lo repousar. As sessões não costumam se repetir mais de uma vez por noite. Outros ditos populares como os que estão colocando em prática o que sonharem e relacionarem a epilepsia são errados. O distúrbio ocorre na fase mais profunda do sono, onde não existem atividades significativas. E a epilepsia é relacionada a outra área e não com o fato de ser sonâmbulo.

É mais comum acontecer em crianças, onde ainda estão passando por fases de amadurecimento e desenvolvimento cerebrais, enquanto nos adultos tudo já está formado. O índice é maior em meninos e costumam desaparecer no início da adolescência. Portanto se uma criança apresentar um quadro de sonambulismo é considerado comum na faixa etária. Agora, se for adulto, deve se aprofundar os motivos, pois podem estar associados a estresse e outras doenças.

Outros distúrbios do sono

Para quem imagina que só existe este tipo de problema na hora de dormir, está muito enganado. Há vários outros que podem chegar a ser bem desagradáveis, como : distúrbio de comportamento no sono REM (é semelhante ao sonambulismo, mas o indivíduo age ainda no período em que os músculos não deveriam se mover de maneira nenhuma. São pessoas, em geral, que reagem aos sonhos), a sonofagia (um transtorno em que a pessoa, dormindo, vai até a cozinha para comer. Elas normalmente acordam com migalhas sobre a cama e começam a ganhar peso sem motivo aparente) e por último o fenômeno do comportamento sexual sonâmbulo (a pessoa que sofre dessa condição pode se tocar de maneira sexual ou até mesmo iniciar uma relação com outro ainda adormecida. Elas só chegam a descobrir se o próprio parceiro contar ou um colega de quarto).

Os mistérios de nosso sono ainda são inúmeros e só nos resta fechar os olhos e sonhar. Não é?

Rafaela Bernardino

sábado, 25 de fevereiro de 2012

De onde surgiu a soja?



Se você não sabe, vai descobrir agora. O grão é originário da Manchúria, uma região localizada na China. Era plantada a pelo menos cinco mil anos atrás e começou a se espalhar por intermédio de viajantes ingleses, e também, por imigrantes japoneses e chineses.

A dita cuja só apareceu no Brasil no século XX. No entanto, o impulso de sua produção ocorreu em meados dos anos setenta. A razão? Quebra de safra da Rússia e a dificuldade dos Estados Unidos em suprir a demanda. Então surgiu o Brasil superando até a segunda produtora mundial da época, a China. Com suas singelas 8.500.000 toneladas de grãos vendidas, ficou atrás apenas do maior produtor mundial (EUA).

Mas para quem pensa que foi só isso, está enganado. A soja obteve uma forcinha da grande geada de 1975, no qual destruiu os cafezais do norte do Paraná. O resultado foi que os fazendeiros desistiram de cultivar o café e resolveram apostar no grão da soja. Outro fato relevante foi o fim do ciclo da extração de madeira da região oeste, também do Paraná. Mesmo sendo meio forçado essa reestruturação de cultura, as respostas foram bem positivas.

Como todos nós sabemos, a agricultura se mecanizou dos anos 70 para cá, junto com as técnicas de plantio que evoluíram. Além disso, ainda temos a Agroindústria, no qual fez um melhoramento dessas cidades que se disponibilizaram a cultivar a soja. Ou seja, prosperidade a vista!

Quando assunto é soja, o nosso país é um dos primeiros da lista. Afinal, com um clima que aguenta as características peculiares da soja e com a comercialização que já trabalha em níveis mundiais, além de sermos um país der razoável negociação, devíamos ser os originários do grão e não a China, não é mesmo?

O melhor plano para a nossa saúde
Este grãozinho é a maravilha do reino vegetal. É conhecida como um alimento funcional que traz benefícios incalculáveis ao organismo. Além de possuir um alto valor nutritivo, ajuda na prevenção de doenças cardiovasculares, câncer, osteoporose e diabetes. A ingestão de proteínas de soja, por exemplo, (essas proteínas podem ser encontradas em vários formatos e são versáteis para a culinária), reduz a taxa do mau colesterol (LDL), já que as gorduras que existem no grão são as poliinsaturas e as monossaturadas, não causando a obstrução das artérias. Se você se cansou de carne, substitua pela proteína! O preço é em conta e ainda emagrece.
       
Na Embrapa-Soja você pode encontrar várias receitas saborosas e diferentes com grãos, proteínas, farinha e leites. No Brasil, a grande maioria da população utiliza como óleos, margarinas e queijos.


Só não vá fazer da sua vida um mar de grãos de soja, o seu corpo precisa de outros nutrientes! Agora é só aproveitar e soltar a criatividade.
Segue o link aqui

Rafaela Bernardino

sábado, 28 de janeiro de 2012

Do avesso ao começo

Incurável. Esse é o maior paradoxo que uma pessoa com a Mal de Alzheimer pode ter que lidar. As principais áreas do cérebro afetadas são as referentes à memória, aprendizagem e coordenação motora, atingindo, principalmente, pessoas com mais de sessenta anos. O psiquiatra alemão Alois Alzheimer foi quem descobriu a doença em meados de 1906.

Não é difícil perceber que algo está errado, mas o grande erro é confundir com problemas normais do envelhecimento ou o estresse. Os principais sintomas são perda de memória (estágio inicial), a pessoa não consegue focar a atenção em determinadas coisas, a elasticidade de ideias e pensamentos diminui consideravelmente. Ocorre também, e para pesadelo de quem ama a Língua Portuguesa, a perda da semântica. Por ser um problema degenerativo, os sintomas ficam cada vez mais evidentes. O outro estágio é a Demência Inicial. Nesta fase, começa a perda de neurônios - cessando, assim, a quantidade de neurotransmissores -, trazendo dificuldades em reconhecer um documento, por exemplo. Um estágio a mais de progresso é a perda da capacidade de ler e escrever. É o momento em que se inicia o esquecimento de entes queridos. O problema pode se aravar. Em fase terminal, o paciente fica completamente dependente de terceiros para viver. As tarefas mais simples, como lembrar de ir ao banheiro será uma difícil tarefa.


E as pessoas que estão ao redor, como agir diante da situação? Como a doença costuma se manifestar depois dos sessenta anos, já existe essa impaciência perante o que sofre dela. O mais aconselhável é a família buscar informações e entender que surgirão dificuldades no caminho. A principal é ser sensível, pois é uma situação delicada, e que atinge a todos. O momento é tão complicado para os parentes que existem livros e manuais – claro, é apenas mais uma forma de facilitar -, como: O Manual do Cuidador – Convivendo com Alzheimer ( Dr. Márcio Fernando Borges - médico geriatra e coordenador da Sub-regional da ABRAZ Juiz de Fora – MG).

Alguns tratamentos específicos focam em melhorias no déficit de memória do paciente, tratando o desequilíbrio químico do cérebro. Muitas vezes, são usadas drogas – que de início funcionam -, até chegar a fase intermediária. Nelas existem efeitos colaterais – destaque para os gástricos -, no qual acabam finalizando o uso. Alguns casos raros melhoram com a utilização desses medicamentos anticolinesrerásicos. A droga recente lançada é a memantina, que tem ação diferenciada dos anticolinesterásicos. Ela é, na verdade, uma antagonista. Mas o que ela traz de positivo? Possibilita uma melhor qualidade de vida para o doente, fazendo com que possam ser feitas as atividades simples do dia-a-dia.

Infelizmente, a doença é progressiva, e ainda não há cura (embora cada vez mais existam tecnologias para combatê-la). É importante, você, que tem um parente o qual porta essa doença, compreender como ela funciona e a maneira como deve tratá-la. Todos nós nascemos sem aprender a ler ou a escrever, sem saber andar, ou até mesmo sem saber pegar um objeto sem fazer estragos. Se a lei da vida resolve fazer o reverso em algum momento de nossas existências, é papel de cada usufruir da sabedoria que isso nos propõe.


Rafaela Bernardino

sábado, 17 de dezembro de 2011

O vício de ser viciado

Como essa é a nossa última conversa antes do natal, resolvi falar de comida. Afinal é um assunto que vai agradar todo mundo, não? Eu estava um dia desses vendo um programa de televisão e me deparei com o tema: culinária natalina. O curioso foi que a maioria das receitas estavam ligadas ao chocolate. Então vem a minha pergunta: Por que o chocolate está tão ligado ao prazer, ao vício? Será que isso está correto? Existem mesmo os chamados chocólatras?

Segundos as “ideias cósmicas”, tudo está ligado ao filósofo Descartes – que afirma que tudo o que diminui a energia de nosso corpo e acelera o recebimento de nossos pensamentos, pode nos viciar. Portanto, funciona assim: um homem não come tanto chocolate porque não precisa de tanta energia, mas ao contrário, a mulher precisa de muita energia, portanto se apega mais ao doce. Isso tudo não parece uma viagem?

Vamos parar de “crenças” e olhar para o lado prático? Bom, em primeiro lugar o chocolate é uma coisa maravilhosa, ninguém pode negar. Mas saber dosar é muito importante. Segundo o Psiquiatra Arthur Kaufman, líder da pesquisa do Programa de Atendimento ao Obeso do Ipq, afirma que a vontade de comer a guloseima toda hora está ligada a ansiedade e problemas com estresse, além de ser comparada a compulsão alimentar.

O chocolate libera um neurotransmissor chamado endorfina, o mesmo que é liberado quando se faz muitas horas de academia, que dá sensação de prazer, porque ativa a liberação da serotonina, responsável pelo humor. Quem come chocolate tem melhora imediata do humor. Explica Arthur.

Mas fique de olho porque nem todos que popularmente se chamam de chocólatras são realmente. A maioria das pessoas, segundo Peter Rogers, Psicólogo da Universidade de Bristol e pesquisador na área, tem a ideia fictícia que o chocolate é viciante, porém outros alimentos como: abacate e queijo, possuem o mesmo tipo de substância e nem por isso as pessoas o usam como válvula de escape. Então, tudo é um pouco da nossa cabeça, não?


Um chocólatra é aquela pessoa que come de 300g a 500g de chocolate por dia, mas tem gente que chega a comer 1kg. Diz Arthur Kaufman

Resumindo: ser um chocólatra é realmente ter uma parte no cérebro que diz que aquilo é viciante. Como qualquer coisa na vida pode virar um vício se a mente não dominar, o chocolate não fica atrás. Então neste natal, aproveite, coma o quanto quiser, mas não deixe a mente dominar você. Bom apetite!

Rafaela Bernardino

sábado, 3 de dezembro de 2011

Você está fazendo isso certo?

Está aí um assunto que muitas pessoas presenciam, mas nunca comentam: como funciona a higiene de uma academia? Será que você não está sendo um pouco relaxado quando a questão é sua saúde e as dos demais?

Segundo o regulamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é permitido um limite para contaminações em academias. Sua orientação é para que os estabelecimentos de atividades esportivas tenham borrifadores com álcool perto dos aparelhos (para haver uma melhor limpeza do local). No entanto, a fiscalização não é tão rigorosa, abrindo margem para que muitos utilizem formas erradas ou até mesmo nenhuma maneira de prevenção contra as bactérias, vírus e micróbios.

Regina Amâncio Soares, 42, frequentou a academia por longos períodos e a experiência quando a questão é a higiene, torna-se bem coletiva:

A limpeza é algo muito crucial, principalmente em um ambiente fechado e com tantas pessoas transpirando. Já imaginou a quantidade de doenças que podemos pegar com isso? Não só a academia, como nós também, temos que manter a ordem de higiene. Se você não pegar um papel e passar álcool no aparelho em que usou, o próximo estará condenado. A educação e iniciativa tem que partir de nós também.

A ideia da limpeza dos equipamentos é séria. Uma pesquisa feita no Centro Integrado de Diagnóstico da Universidade Gama Filho (UGF) e coordenada pelos pesquisadores João Carlos Tórtora e Adriana Pereira afirma que dê 27 amostras recolhidas em colchonetes, selins de bicicleta e outros aparelhos, há a indicação de contaminação em 44,4% do observado. O pesquisador João Carlos ressalva, ainda, que em alguns selins foram encontrados mais de 1.600 micro-organismos por cm² (o que é considerado uma quantidade absurda, já que a proporção de 100 bactérias por cm² é vista como muito alta).


A preocupação aumenta mais quando as próprias academias não fornecem o necessário para a manutenção. (...) Procurei vários estabelecimentos e, na maioria, não eram agradáveis. Uma vez acabei contraindo uma micose nas costas após aulas de abdominais sobre colchonetes, conta Regina.
Confesso que pelas as regras da Anvisa, o lugar onde faço meus exercícios está dentro das normas. E o seu? Algumas dicas para evitar este tipo de problema são: Limpar sempre os aparelhos antes e depois de usá-lo (afinal ninguém quer o seu suor), de preferência com papéis toalhas ou qualquer coisa descartável. Toalhas acumulam bactérias, e acabam não resolvendo o problema, e sim, transferindo-o. Já que estamos falando das toalhas, lave as suas sempre. Afinal ela também andou em muitos equipamentos e também está contaminada. Agora mãos a obra e bom exercício!

Rafaela Bernardino

sábado, 12 de novembro de 2011

A aceitação do irremidiável

O nosso inconsciente não admite a ideia de morte. Em nosso inconsciente temos a certeza plena da nossa imortalidade.
Elizabeth Kilbey Host

A perda é algo que não agrada ninguém. O instinto competitivo do homem faz com que vá em busca de seu "eu", acreditando por idealismo na conquista de espaço e sucesso. Sua meta é vencer ou vencer. Inclui-se nisso a realidade da morte, existindo a não aceitação de que você foi “derrotado”.

A Psicóloga especialista em casais e famílias, Suzanna Amarante Levy afirma que: “falar de dor não é nada fácil e que, de fato, causa sofrimento. Mas as pessoas se esquecem de que esse sofrimento, na verdade, já existe”. Esta afirmação nos faz pensar que o medo de uma futura perda causa bloqueios na mente, na qual procura evitar pensar no assunto. A maioria das pessoas só pensam em coisas que fornecem prazer e afastam tudo o que possa ser doloroso. É um mecanismo natural.

Superar uma morte próxima, para alguns, chega a ser impossível. O Psiquiatra do Hospital das Clínicas de São Paulo, Eduardo Ferreira Santos pondera:

"Elas podem passar a ter um quadro, que pode ser leve, moderado ou severo, mas um quadro de transtorno de ansiedade, caracterizado por muito medo, caracterizado por uma hiper vigilância (...)

Existe o medo do nada, do vazio que a presença do outro irá causar na rotina dos demais, e é aí que mora o perigo. Há esse tabu na hora de se falar em morte, da partida de alguém, no entanto é importante desembaraçá-la das sombras para encará-la de frente, afinal todos devem continuar seus caminhos. A morte é um processo natural da vida, no qual todos estão cientes desde pequenos. O descansar das almas virá para entes queridos, amigos e até para nós mesmo. Pensar em nossa morte não parece estranho? Mas é algo que virá, cedo ou tarde.

O assunto é tão delicado, que despertou o interesse de vários médicos brasileiros como Evaldo Alves D’Assumpção, Médico e Biotanatólogo, que criou a Sociedade de Tanatologia de Minas Gerais (SOTAMIG). Mas o que seria Tanatologia? É a ciência que estuda a relação do homem com a própria morte e com a do outro, adquirindo conceitos e questionamentos para compreensão do comportamento humano em relação às perdas e lutos, levando-nos a refletir sobre nossa própria finitude e existência.

A questão da superação também é vinculada ao grau de ligação que a pessoa possuía com a outra. Indivíduos que perdem irmãos gêmeos, por exemplo, têm características de solidão bem acentuadas. A ONG Lone Twin Network - criada pela Psicoterapeuta britânica Woodward - ajuda a compartilhar experiências de grupos que passaram pela mesma situação. Uma das integrantes compartilha a sensação da morte de seu irmão gêmeo Arnold:


"Faz 15 anos desde que Arnie morreu e ainda me sinto tão machucada. (…) Ele era meu amigo, minha alma gêmea, parte de mim. (…) Quando você tem um gêmeo, de certa forma há uma aceitação completa de que ele é uma parte de você. E essa parte hoje está faltando.
O mais importante, segundo os especialistas é passar pela dor e experiência de perder um ente querido. A maioria dos seres humanos transformam desvantagens em vantagens, e assim, o luto pode ser um grande processo de crescimento e descoberta individual. E lembrem-se: o que não tem remédio, remediado está.

Rafaela Bernardino

sábado, 5 de novembro de 2011

Os vinte minutos transcendentais

Na correria de nossos dias é difícil lembrarmos de manter a calma e a paz de espírito. No entanto, procurar tirar vinte minutos da rotina para se dedicar ao equilíbrio interno é uma das maneiras mais saudáveis e possíveis de se viver. E é na meditação transcendental que algumas pessoas, atualmente, estão encontrando um refúgio.

Foi o caso do grupo musical Beatles que se resgaurdou na Índia, buscando uma forma de lidar com a fama. Ao retornarem do país, trouxeram para o ocidente a nova técnica que baseava-se em: sentar-se confortavelmente  duas vezes ao dia, por cerca de vinte minutos, de olhos fechados. A proposta parece bem simples, mas procura levar a mente na direção interiorizante de si, a fim de experimentar as camadas mais sutis do pensamento.


Não é a toa que David Lynch - Diretor, Roteirista, Produtor, Artista Visual, Músico e ocasional Ator - aderiu ao processo:  

"Você entra em um profundo oceano de criatividade quando medita. A sua consciência se expande. Você consegue captar ideias em um nível mais profundo. 
Segundo o médico Ph.D. Neurologista da Escola de Medicina da Universidade de Nova York, Dr.Gary Kaplan, quando é obtido a tranquilidade necessária para a técnica, os hemisférios esquerdo e direito, e as partes frontal e posterior do cérebro passam a trabalhar em harmonia: 

Esta mudança no funcionamento cerebral afeta o resto da fisiologia, reduz a pressão arterial alta, fortalece o coração e melhora o estado geral da saúde.
Outras figuras carimbadas como o Ator e Jornalista formado, Wagner Moura, que em declaração se diz adepto, também demonstra as várias vantagens do processo:  

(...) Um problema pequeno é um problema pequeno, um problema grande é um problema grande. E com o foco que a gente ganha na meditação transcendental, os problemas ganham uma proporção muito menor. O que eu ganhei com a prática foi uma clareza para poder ver as coisas do tamanho que elas têm.
A técnica da Meditação Transcendental, em si, fortalece a interação entre o córtex pré-frontal e todas as demais áreas do córtex cerebral. O resultado é o funcionamento mais integrado do cérebro, além de aumentar a memória, o foco e a concentração. Os vasos sanguíneos são dilatados e há diminuição nos hormônios do estresse, além de suavizar ou - dependendo da frequência que o indivíduo faz – até mesmo curar distúrbios como a ansiedade, síndrome do pânico e a bipolaridade. Para a Professora de Meditação Flávia Miranda, a prática só traz benefícios:

Você diminui as substâncias relacionadas ao estresse e a adrenalina, porque você normaliza o sistema nervoso. 
A prática é segura e não traz nenhum dano físico. Basta integrar em sua lista diária um tempinho para desligar o botão, respirar fundo com a meditação transcendental e depois poder voltar à rotina, novo em folha.


Rafaela Bernardino