quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Só mais uma noite de Maracanã

Tiago Menezes

 



Um organismo vivo e sobrenatural invadiu o Maracanã na noite da última quarta-feira. Um ser composto por quase 70 mil células vermelhas e pretas unidas por um mesmo objetivo, dentro de uma panela pulsante e lindamente barulhenta. O maior Templo do mundo foi palco de mais um título do Flamengo para a história, empurrado por um país inteiro representado pelas 68.857 pessoas presentes nas arquibancadas do Maraca.

Agora pulemos a parte da puxação de saco do Flamengo. Vamos ao jogo.

Decifra-me ou te devoro

Claudia Reis

As unhas arranham minhas canelas. Vão se multiplicando aos poucos, mas quanto mais chegamos perto do fim, maior é a velocidade com que se reproduzem.

Os olhos, antes tranquilos e despreocupados, me fitam esbugalhados. E só consigo enxergar neles ponteiros de um relógio, sempre a tiquetaquear os segundos que acabaram de se esvair.

Eles suplicam pela redenção. Querem ser salvos, e me elegeram a heroína da história mal contada. E eu até tentei: improvisei pontes sobre o riacho, emprestei facões para darem conta da mata fechada, apontei os cipós para que pulassem sobre a areia movediça.

No desespero, imploram para deus, seus deuses, qualquer um deles. Mas não se dão conta de que o deus que buscam de olhos fechados, sem as letras D e S, se transforma em EU. Eu - eles mesmos, não eu, a seta torta a repetir mantras iguais dia após dia.

EU - está tudo ali. Bem ali, mirando-os do espelho.


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Nem tudo que cai na rede é peixe!

Fernando Schweitzer

O copo meio vazio para quem tem muita sede é o mesmo que o copo meio cheio para quem de água recém se fartou. O Partido Socialista Brasileiro (PSB) atualmente presidido pelo presidenciável Eduardo Campos, é um partido político de esquerda que segue a ideologia socialista democrática. Foi criado em 1947 a partir da Esquerda Democrática, até ser extinto por força do Ato Institucional nº 2, em 1965.

Quando imaginamos uma peneira para resgatar somente partidos de esquerda ou direita vemos que apenas peneirar é um ato superficial. Temos um mar de partidos políticos e hoje existem poucas figuras que personifiquem algo de ideológico, o que facilitaria aos leigos compreender, por exemplo, que não possuímos no Brasil mais esquerdas com poderio para chegar a presidência.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O que é ser um escritor?

Camila Albuquerque

Entre murmúrios e trincar de copos um escritor se esconde, assimila toda a falta de espontaneidade dos conhecidos ao redor e cria um mundo imaginário entre o ambiente, o que lhe foi falado e o que está realmente acontecendo. Mal sabem os demais que para um escritor meio pensamento basta.


Eles seguem um raciocínio lógico de escrever para os seus semelhantes, ou seja, leitores machucados. Pessoas muito felizes não leem, ler é um hábito dos melancólicos. É um escape, uma fuga da realidade, uma busca pela cura e resolução dos problemas a cada página. Eles se identificam com os calos do autor e tornam da leitura um analgésico poderosíssimo, quase ilegal.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Quando as hashtags vão às ruas

Uma análise do reflexo das manifestações de junho de 2013 na sociedade e no jornalismo

Ana Maria Ghizzo


Cidade de Florianópolis, junho de 2013. Trinta mil pessoas nas ruas, 59.980 pernas, 338 baseados enrolados, 1.900.222.234.102 pingos de água rolaram do céu, 1.528 capas de chuva foram vendidas, o que girou R$ 7.640,00 na economia varejista. Precisamente 3.589 cartazes foram pintados e 125 slogans criados, 12 contendo erros de português gravíssimos. Vinte mil pessoas subiram a Ponte Colombo Salles, 10.258 resolveram ir até o final e retornaram à Ilha atravessando também a Pedro Ivo, cinco mil assistiram tudo da estação rodoviária. Por ordem de um jogral, as catracas foram puladas 59 vezes ao som de Quem não pula quer tarifa! Quem não pula quer tarifa!

Clarividência (Auto Retrato)” (1936), por René Magritte (1898-1967)

Feito o exercício do mestre Gay Talese, atrevo-me a imitar sua artimanha em manipular dados um tanto quanto inusitados. Capas de chuva, baseados e cartazes compõem uma outra ótica, abrindo os olhos para uma formatação mais bizarra da realidade. Mas, e agora? Que rumo esse texto deve tomar para fugir da mesmice das coberturas cotidianas sem ser pretensioso? Como sobressair às capas dos jornalões? Como despistar o foco dos detalhes pontuais do movimento Acorda Brasil?

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Tapa na cara da sociedade esportiva!

Tiago Menezes

Quarta-feira, 20 de novembro de 2013. Esse foi o dia do renascimento do espírito esportivo dentro do meu coração. Dia de final da Copa do Brasil, Flamengo e Atlético Paranaense decidindo um dos campeonatos mais importantes do país, com a casa improvisada dos atleticanos abarrotada de gente. Apesar de toda essa aura linda e de a TV dizer que era um dos jogos mais importantes do ano, essa partida foi totalmente irrelevante.

O Flamengo, com sua camisa demoníaca que tem o poder de ser campeã independente dos jogadores sem expressão que a usam, arrancava um bom resultado na casa do inimigo. Já o Atlético, que corria contra o adversário e o tempo, se esforçando para tentar fazer um golzinho para seguir vivo, tinha sua torcida descaradamente censurada por microfones colocados na torcida carioca. Tudo normal até aqui, uma típica noite de quarta-feira da Globo, eu diria.

Porém, o milagre ocorria em um canal alternativo, meio esquecido, no duelo entre um dos maiores clubes do mundo e um time valente do interior de São Paulo. Não gosto de ser repetitivo, mas me sinto na obrigação de escrever mais uma vez sobre meu clube preferido dessa temporada. Apesar de o Morumbi estar lotado e de o adversário ser gigantesco, a Ponte Preta foi lá e desferiu três disparos certeiros para cima do São Paulo, aplicando um sonoro 3x1 na casa do time da capital paulistana.

Parece cocaína!

Fernando Schweitzer

Se a Copa é o único de bom que se pode fazer pelo país, imagina o resto... Odeio esse esporte que é arma de manipulação e alienação. Quando for presidente, proibirei futebol e carnaval por cinco anos. Para que talvez assim as pessoas passem a ocupar seu tempo com coisas úteis e que estimulem seu crescimento espiritual.

Já diriam os reaças de plantão: "Quando houver uma direita no Brasil...". Surgir uma direita no Brasil? - perguntar-me-ia. Isso é pura política de direita. Como Rafael Videla na Argentina bem o provou. Usando o futebol para anestesiar o povo e tentar disfarçar interna e externamente seu regime ditatorial. Com apoio da FIFA, que é bem conservadora e de direita.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Cronista não nasceu pra rimar

Camila Albuquerque


É só quando conseguimos nos desprender de hábitos ruins que voltamos ao ponto de partida da nossa vida. Uma amiga minha sempre insistiu nos consolos das frases prontas e - se por falta de criatividade ou não, ainda os repetia, voilà: "Um hábito não é uma necessidade". Sempre certeira nos conselhos.

Sou daquele tipo de pessoa que gosta de reparar nos outros ao redor, se forem desconhecidos melhor ainda. Gosto de fazer uma lógica comum em que observo todos cometerem os mesmos erros e ainda assim não são tão errados quanto os meus. Tem gente que nasceu virada, por certo que fui eu. A questão é que no meio da multidão sempre vejo um que me escapa pelo canto do olho e toma um caminho diferente. Torno disso então uma obsessão.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A insana gangorra do futebol catarinense

Tiago Menezes

O futebol é mesmo uma coisa maravilhosa. Do nada, os dois times da capital catarinense resolveram jogar e botar fogo nesse finalzinho de 2013. Figueirense e Avaí têm chances reais de catarem uma vaga para a série A de 2014 e podem fazer companhia a Chapecoense que já se garantiu na elite do Brasileirão. E o melhor de tudo: ambos abusam loucamente da lei da gangorra, pois provavelmente se um subir o outro fica. 

A lei da gangorra diz que se seu time estiver mal, automaticamente o rival cresce e ganha chances muito boas de terminar a temporada bem. Isso é um fato comprovado. Mas o que mais deixa essa situação sensacional, é que essa lei é absurdamente instável e pode se inverter nos momentos mais improváveis. Pergunte a um avaiano (pergunte mesmo, vai ser engraçado).

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Em busca de reconhecimento por conta própria

Tiago Menezes

Foto: Jô Pilger

As dificuldades já começaram na viagem. De Florianópolis a Joinville, para pegar um avião até São Paulo e de lá rumar para Cuiabá, uma parte do elenco de atletas do São José Istepôs Futebol Americano teve que esperar 12 horas no aeroporto em terras paulistas. Diante de aproximadamente 4 mil pessoas no estádio em Mato Grosso, sem conseguir se comunicar em campo de tanto barulho que a torcida fazia, o time catarinense ainda assim bateu o Cuiabá Arsenal por 16 a 13 e garantiu uma das vagas na semifinal do Campeonato Brasileiro de 2013.

Na próxima fase, o adversário será o rival Coritiba Crocodiles, do Paraná. O histórico de confrontos entre as duas equipes, neste ano, é favorável aos parana passeava sobre os adversários no campeonato. Eles venceram na fase de grupos, mas no jogo ficou evidente que o Istepôs têm time para competir e buscar uma vitória fora de casa.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Cardápio de hoje: amor

Cristina Souza



Resolvi quebrar o meu jejum para falar sobre a fome que tenho sentido nos últimos dias: Fome de amor. E quando falo de amor, não digo só amor entre homem e mulher, mulher e mulher, homem e homem. Falo de amor entre as pessoas, que está cada vez mais em falta no cardápio. Veja bem: o sexo é servido em prato cheio. É ofertado em lindas fotos e descrições bacanas no Tinder, em conversar despretensiosas no Snapchat, em flertadas no Whatssap ou em fotos de biquíni no Facebook. O sexo é um prato delicioso, mas é um fast-food: ótimo como um Burger King no almoço de uma terça-feira ou prático como um pão com ovo na preguiça de domingo. Você come, lambe os dedos, e só.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Lei de Meios de comunicação

Fernando Schweitzer



Jornalismo, um prática que se consolidou nos últimos séculos e que muitos teóricos já chegaram a classificar como o quarto poder. No Brasil, a imprensa nasce com o carioca, Gazeta do Rio de Janeiro, fundada em 10 de setembro de 1808, foi o primeiro jornal impresso no Brasil, nas máquinas da Imprensa Régia.

Publicado apenas duas vezes por semana, A Gazeta do Rio de Janeiro era um jornal oficial e consistia, basicamente, de comunicados do governo e seu editor era o Frei Tibúrcio José da Rocha. Até à sua publicação, que fora fruto da transferência da corte portuguesa para o Brasil, era terminantemente proibido aos habitantes do Brasil o acesso a publicações.