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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Dom da Cura

Kamila Porto

Seu Pedro herdou um bem precioso. Sua fé deu o dom de ajudar o próximo.

De estatura baixa, com ralos cabelos brancos, óculos, roupas quentes e pantufas para se aquecer do frio. Assim que escuta seu nome, abre a porta e pergunta: “Você precisa de uma benzedura, minha filha?”. Seu Pedro ficou meio desconfiado ao saber que não vinha à procura de uma reza, mas me convidou para entrar esbanjando simpatia.

A casa era simples, de madeira em tom amarelo, com as aberturas em rosa. Na sala de visita, uma estante com uma televisão, dois sofás, uma poltrona, muitas fotos penduradas em quadros e em porta-retratos espalhados em prateleiras ao lado de imagem de alguns santos.

sábado, 29 de junho de 2013

Entre peixes, cães e gatos está o homem natureza

Nícolas David

A Vila é moradia das embarcações
e ponto de encontro dos pescadores da Barra do Aririú
Na beira do mar, próximo ao local de trabalho - ou de hobby, como uns preferem dizer, está o point de cerca de 50 pescadores. São 20 ranchos onde pernoitam as embarcações que adentram a imensidão azul do mar quando o gigante está para peixe. Quando não é possível sair para a pescaria, eles ficam nessa outra casa tricotando, ajeitando uma coisinha aqui e outra ali nos barcos ou simplesmente bebendo uma cervejinha para se “aquecer” a noite. Dessa forma, ocupam o espaço para o qual destinam máximo zelo e cuidado. Ali, homem e natureza se relacionam pacificamente, um como hospedeiro, outro como parasita transformador.
Nos ranchinhos, cuja madeira foi doada pela prefeitura, eles se encontram praticamente todas as noites. São cerca de 20 construções, 20 equipes pesqueiras, mas nem todos se conhecem ou interagem na “vizinhança”. Conhecem-se de vista, como eles mesmos dizem, cumprimentam-se, mas daí, a saber, nome ou apelido de cada um existe uma grande lacuna.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Um achado inesquecível

Giovanna Dutra

Encontrar o personagem principal desta reportagem não foi uma tarefa fácil. Podemos dizer que foi preciso garimpar em várias minas até encontrar tesouro. Marcelo Lourenço da Silva é a agulha no palheiro que eu procurei durantes alguns dias. Quando nos conhecemos a conversa andou muito fácil. A princípio não me chamava nem um pouco a atenção redigir uma matéria sobre pescadores, me pareceu uma pauta pouco produtiva. Mas Marcelo me surpreendeu por sua sinceridade e convicção no mundo da pesca. 

Cheguei na vila de pescadores da Barra do Aririú, localizada na cidade de Palhoça, por volta das 20 horas. Sem muita expectativa pelo que iria encontrar ali, pois a vila parecia mais um deserto. Só se ouvia o som das marolas chegando aos bancos de areia. Mesmo sendo quase um peixe por causa da minha criação na beira mar, o cheiro do lugar incomodava um pouco. Era uma mistura de fim de pesca com álcool. Mas no meio de uma escuridão que parecia não ter fim. Depois de alguns minutos pude identificar uma pequena luz, num dos ranchos e escutar as risadas altas. Então caminhei até lá para ver o que estava acontecendo. Quando entrei avistei 5 homens alegres depois de um bom dia de pesca. Foi aí que conheci o Marcelo, minha agulha no palheiro. 

terça-feira, 25 de junho de 2013

Ana e Antônio em: O amor do oceano

Bruna Moraes


“Lendário e surreal. Alma e coração batendo forte. Sorriso e sol poente, no topo da onda, vão os garotos, quase homens, vão a vida deles cheios de bravuras, sozinhos, os três pescadores. Ana na areia acenando para que o amor de sua vida cuidasse da própria vida durante a pescaria"

A infância de Antônio


- Vovô, obrigado por nos fazer crescer desta maneira. Que criança não fica feliz quando vai passar uma ou duas pequeninas semanas em uma praia?

- Pois nós vivemos no lugar mais precioso que as praias, vivemos pescando no mar. – o pequeno Antônio concluiu, quando ainda tinha sete anos. Agora com 35 anos, o menino que cresceu no mar, ajuda o pai com os a fazeres. A alegria e a responsabilidade andam lado a lado.

Ele e seu irmão eram crianças nativas de Florianópolis que tiveram uma infância de aventuras, tão pequeninos, em meio às sobras de pescadores descabelados. Divertiam-se com tudo o que faziam no barco. As más visões, quando ondas gigantes ameaçavam o barco, não assustavam os meninos.

- Que bom que não temos irmãs. – Riam.

Adoravam quando iam para o meio do oceano pescar... A não ser Antônio que era obrigado a acenar para Ana, a menina doce que morava na casa ao lado. Os olhos brilhavam como o mar. Ana ficava na areia, com suas saias e os pés descalços, o brilho em seu olhar refletia o sol, intenso e quente, borbulhando uma saudade momentânea, mesmo sabendo que logo os meninos estariam com peixes e muito trabalho de volta beirando o mar.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O pescador e sua alma

 Bianca Queda

O fim do dia se aproximava. No horizonte, o sol parecia apagar-se, confundindo-se com os fiapos cinza das nuvens que encaixilhavam os contornos da montanha. O estridor do vento sul anunciava a fina garoa que ali se alastrava. Já havia passado a hora de seu regresso. Porém, nas águas, o silêncio. Nem um rebojo, nem um sinal da sua presença, nenhum marisco. Apenas sua batera fora encontrada. Onde andaria?