sexta-feira, 14 de junho de 2013

Aqui jaz a democracia

Thaís Teixeira

Revivendo os anos de chumbo... Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress
As lágrimas caem. O dia está cinzento e frio, embora o sol tenha amanhecido mais forte do que nunca. Nos noticiários, vemos e ouvimos em primeira mão aquilo que dói acreditar, que fere a alma, indigna e revolta. Nas primeiras páginas, as letras grandes em caixa alta, com uma foto estourada dizem: Hoje perdemos a democracia.

Já me disseram: ela nunca existiu! É impossível de acontecer. É uma falácea, que é isso, que é aquilo. Já me disseram tantas coisas sobre a pobre da democracia que eu fico pensando se ela não nos enganou esses anos todos. Eu sou pós-caras pintadas, sou da época da primavera árabe, dos atentados terroristas, dos perigos da internet. Sou da época do tráfico de drogas, dos bailes funks, das pacificações. Sou da época em que lutar pelo que se acredita é antigo demais, marxista demais, rebelde demais, desocupado demais.

É engraçado que em uma época onde temos tanta liberdade para falar, gritar, espernear, correr, respirar, contestar se prefira a venda nos olhos e tampões de ouvidos. É engraçado que, depois de séculos e séculos de evolução da humanidade, esse país tenha regredido a ponto de ter uma sociedade passiva, calada, conivente com as arbitrariedades de um Estado que se diz democrático, mas que na verdade, é um filho da ditadura. Um filho que aprendeu muito bem como reprimir, humilhar, manipular, torturar.

E enquanto tudo isso acontece embaixo de nossos narizes, mantemos nossa rotina medíocre. Permanecemos alheios ao que se grita, ao que se pede. Condenamos e repudiamos aqueles que, ao contrário de nós, saem do seu mundinho minúsculo para gritar ao mundo que não aceitam mais serem roubados, manipulados, usados como fantoches.

Continuamos reclamando nas filas do trânsito, no ônibus entupido de gente, na fila do banco, em casa com a mulher quando falta o dinheiro para isso ou aquilo, no trabalho com o patrão, na faculdade com os professores. Falamos, falamos, falamos e falamos e, no fim, deitamos em nossas confortáveis camas para dormir o sono dos justos, como já dizia minha vó.

O fato é que enquanto rimos, trabalhamos, dormimos e conversamos, milhares de pessoas estão nas ruas não apenas para pedir a diminuição do preço das passagens de ônibus, mas dizer: Acordem! Esses milhares de pessoas, sem distinção alguma, estão sendo submetidas a ações desumanas e truculentas de uma polícia que é também filha da ditadura.

Uma polícia que é ensinada a matar, torturar e bater em vez de pensar, refletir e ser humana. Essa polícia, que segundo o Estado tem o dever de nos proteger, é a mesma que empunha armas contra cidadãos. Ela e idêntica a de 1968, quando a ditadura militar brasileira mandou às ruas sua polícia para “conter” a manifestação dos estudantes. O resultado: prisões, torturas, mortes, silêncio.

Não viveremos uma democracia enquanto houver uma ditadura maquiada no poder. Não viveremos uma democracia enquanto essa sociedade não aprender a pensar por si mesmo e descobrir que o que ela vê todos os dias nos noticiários é uma verdade travestida de mil mentiras para se manter a “ordem e o progresso”. Enquanto essa sociedade continuar repudiando e condenando os movimentos sociais e populares, enquanto for conivente com uma polícia violenta e desumana, enquanto continuar votando em corruptos e aplaudindo seus atos, continuaremos velando a morte da democracia.


Um comentário:

Wily Scur disse...

INVERSÃO DE VALORES
“Elegemos e custeamos governantes para proteger e desenvolver os cidadãos que cumprem as leis e geram a real riqueza do país. Hoje somos saqueados e violentados pelos próprios representantes que elegemos. E se discordamos, somos trucidados a ferro e a fogo. Somos a mão que alimenta as feras. O que deveria ser solução tornou-se doença. Cabe a nós extirpar os parasitas do governo. Se os impostos que pagamos com sangue e dor não garantem a nossa paz, então devemos estabelecer uma nova forma de gestão, pois o atual governo perdeu totalmente a noção de liderança. Amotinaram-se ao poder para saquear e consumir nossa energia produtiva em benefício próprio. Isto tudo passou dos limites é o momento de destituir os amotinados, cessar a transferência de riquezas para os algozes. Vamos usar nossos recursos preciosos para sanar esta discrepância. Troquemos a mídia televisiva e games alienantes por recursos para elevar a nossa consciência até agora adormecida. Acordemos! O Faceboock é um ótimo exemplo de ferramenta de agregar seguidores, mas é concebido para atordoar os sentidos e induzir ao consumismo fugaz e capitalista. Mantém-te prisioneiro em amenidades ilusórias.
Vamos levantar e trabalhar a nosso favor, na criação de uma verdadeira rede social de união contra estes absurdos. Somos a maioria, somos os legítimos construtores das nações. É nosso dever destituir o mal da opressão. É nosso dever manter um governo justo!”