segunda-feira, 15 de abril de 2013

Um sexo nada frágil


Maria Eduarda Silveira

Não tem coisa mais trabalhosa do que ser mulher e não é à toa que nós, brasileiras, estamos ocupando a quarta posição no ranking das mulheres mais estressadas entre 21 países, ficando atrás somente da Índia, do México e da Rússia, segundo estudo da organização International Stress Management Association (Isma). Dentre as causas mais prováveis para todo esse estresse, está a sobrecarga de trabalho e tarefas cotidianas. Mas, apesar de preocupante, essa pesada rotina à qual somos submetidas não é tão ruim quanto parece. 

Nada mais justo que começar pelo início: na maternidade. Mal nascemos e, já enroladas em nossas mantinhas rosa, temos as orelhas furadas por dois brinquinhos de ouro. Fica lindinho e tudo o mais. Ok, mas pra que tão cedo? Aí é que certamente começam os primeiros indícios do quanto nós, esses seres de muitas fases, ainda vamos “sofrer” na vida. Na infância, ­­­aprendemos não só a brincar com as bonecas (ou seja lá qual for o brinquedo), como também temos o primeiro contato com esmaltes, maquiagens e a eterna dúvida na escolha das roupas. Afinal, que atire a primeira pedra a menina que nunca quis trocar a bermudinha sem graça do colégio por alguma roupa diferente, e chamar atenção daquele menino bonitinho da sala.

Mas é a partir da adolescência que é dado início ao nosso martírio. A menarca, o primeiro beijo, os primeiros amores, as primeiras festas e, finalmente, as primeiras grandes responsabilidades. Nós somos filhas, mães, irmãs, amigas e carregamos conosco diversos deveres e obrigações, para que, enfim, tenhamos o merecido reconhecimento por tudo o que fazemos.

Nós, em geral, somos vaidosas. Não basta a dúvida na hora de escolher a roupa, ainda temos que aprender a cuidar dos cabelos, fazer sobrancelha, tirar as cutículas (e tentar poupar nossos dedos dos inevitáveis “bifes”), pintar as unhas (e decidir entre Paris e Melancia), nos maquiar (e aprender para que serve cada um daqueles pincéis), lavar a louça, passar roupa, limpar a casa, costurar e a andar num salto de 15 cm. Sem esquecer a nossa fiel companheira: a TPM, que nos tira do sério, deixando-nos sensíveis, inchadas e extremamente gulosas.

São muitas coisas para dividirmos a atenção e dedicação e confesso que nem sempre é tão simples – nem tão frágil – quanto parece. Mas costumo olhar sempre o copo meio cheio. No fim, a recompensa acaba aparecendo, nem que seja na forma de satisfação pessoal – que, convenhamos, já é bom o bastante.

Lutamos pela igualdade e – ufa!- já estivemos mais longe de alcançá-la. Cuidamos de nós, dos outros, da casa e estamos conquistando, cada vez mais, um relevante espaço no mercado de trabalho. (Um viva pra nós!) A nossa preocupação com tudo e todos é inquestionável, bem como a cobrança da sociedade para com a gente. Agora, me diz, quem, em sã consciência, não ficaria estressada com tudo isso?

Um comentário:

Marcia Amorim disse...

Adorei o testo!!! Além de muito bem escrito, só as mulheres entederão tudo perfeitamente. Os homens ficarão atordoados com nossa capacidade. Tenho certeza que você vai longe Maria Eduarda.