segunda-feira, 9 de setembro de 2013

170 hz: Um filme em libras

Juan F. Garces

Os filmes suecos têm o costume de apresentar produções dramáticas e polêmicas.Podemos observar esses elementos, por exemplo, no Deixe ela entrar (2008) e em Thriller: A Cruel Picture (1974). Suas polêmicas podem aparecer visualmente, mostrando um estupro explícito, ou psicológico, levantando pontos e questões da mente do espectador, e é sobre essas questões que tratam o filme em questão, 170 Hz – partindo mais para a questão psicológica. No entanto, ele não é de nacionalidade sueca, mas holandesa. 

Um casal de adolescentes, Evy e Nick, se apaixona perdidamente. Mas, o pai da Evy não aprova a situação, pois o garoto é considerado rebelde demais. Para viver livremente esse relacionamento, os dois decidem fugir, e voltar somente quando a namorada ficar grávida de cinco meses. Analisando o roteiro, não tem nada de impressionante, inclusive pode ser considerado uma história feijão com arroz. No entanto, os protagonistas são surdos, colocando assim algumas particularidades no filme. O diretor Joost van Ginkel tomou o cuidado de inserir o espectador no contexto dos personagens, isso significa que a grande maioria das cenas apresenta total ausência de som. Isso destacou algumas questões, como a fotografia. Em termos técnicos, é um filme muito bem construído, e mesmo um filme praticamente inteiro em libras não se torna maçante, pelo contrário.

Além de toda trama construída nesse empecilho, as características dos protagonistas são construída para deixar a história mais dramática e psicologicamente pesada. Analisando algumas passagens, tudo indica que Nick era abusado pelo pai, e isso poderia responder os motivos de sua atitude rebelde e solitária. Em relação à Evy, em uma discussão com o pai, este bate no rosto nela, deixando o clima da cena pesado. Toda atmosfera da cena, bem como os olhares e as reações, indicam que esse episódio pode não ter acontecido somente uma vez, podendo representar uma atitude patriarcal tomada por grande parte desta. A história não usa somente o elemento “casais surdos-mudos” para sustentar a sua trama, vai mais além, construindo todo um perfil psicológico para justificar suas atitudes. 

Após a fuga, depois de alguns desentendimentos, Evy consegue ficar grávida. No entanto, esses desentendimentos ficam mais frequentes, e Evy descobre alguns segredos do namorado. Percebe que, assim como o pai, Nick também era um homem ciumento, e violento, deixando-a com medo de seguir um relacionamento. Evy foge com a criança, enquanto Nick se mata, não aceitando a separação. O final é triste e pesado, mas nada surpreendente. No entanto, ele levanta algumas questões, que nos fazem questionar até que ponto nossas leis e sanidades são coerentes, qual a linha tênue entre o amor e o desejo de posse e quais os mecanismos que podem levar a tal ponto. 

Nick agiu de maneira errada? Mereceu ser abandonado por Evy? Nick é inocente, culpado ou vítima de um sistema corrupto e doente? São algumas perguntas que surgem ao final do filme. Cada espectador vai ter a sua opinião, e dependendo de suas vivências, todos vão reagir de maneiras distintas. A história do filme não é inovadora, mas os elementos apresentados complementam a história de tal maneira que não deixa ela monótona e cansativa. Eu recomendo esse filme lindo, gravado quase inteiramente em libras.  

Um comentário:

brunaabora disse...

Baixar o Filme - 170 Hz - Filme sobre o amor incondicional e a liberdade que o acompanha - http://mcaf.ee/v2584