segunda-feira, 13 de maio de 2013

Nós e um laço, eu e o teatro

Fernando Schweitzer

Uma cidade diferente, onde ao pisar na faixa de pedestre os carros param. Essa é Joinville. Da surpresa com a sociabilidade do joinvillense a um teatro surpreendente, um público, mesmo em dia de espetáculo, com figurões de tarimba e robustos patrocínio de "nível nacional".


Muitas vezes desejamos encontrar, apenas, e nada mais do aquilo que desejamos encontrar. Tento ir ao teatro e não pensar como ator, menos como bicho de teatro. Em um segundo momento, tenho o costume de tentar deixar-me levar pelas reações do público. Neste caso foi fácil... Havia dois espelhos em cena, em diagonal, estética construída pela direção de Nós e um Laço. Lucas David ousa no quesito conceitual. Esse termo define como uma risca de giz traçada no chão para hipnotizar uma galinha. O traço vertiginoso de um teatro não usual.


Talvez o único pecado do espetáculo seja sua fortaleza. Uma obra com 2 atores que não está em momento algum focada  neles. A força física como argumento e artifício. À medida que as personagens vão se conhecendo, dentro de uma constante e quasimoda relação, seus atos corporais passam a ser as personagens dentro de uma lógica composta pela emoção da força atrito entre as protagonistas.

A reação do público inicialmente é de um estranhamento óbvio ao iniciar do espetáculo. O estilo teatro dança não tem como viés uma narrativa linear, costumeira ao espectador. Este mesmo estilo vai aos poucos rompendo a expectativa de uma história de senso comum. O romance óbvio passa a conflito, quando as personagens começam a usar o público como confidente.

Um teatro fora dos padrões no estado, esse é o ponto desequilibrante de Nós e um Laço. O caminho é mais difícil que o caminhar. Uma direção segura, ao ponto de, por instantes, soar artificial na sua discursividade e mostrando a mão do diretor em alguns momentos, mais que o próprio trabalho dos atores. Conceitos e força são o que chamam ao espetáculo. Uma boa experiência dentro do universo teatro autoral conceitual.

O espetáculo segue em cartaz no Galpão de Teatro da Ajote, em Joinville. Esperemos que a peça permaneça em cartaz e alcance mais cidades. O diferente, mesmo quando se faz parecer em sua propaganda igual, pode ser a salvação para o teatro catarinense. Assim podendo fugir-se do feijão com arroz do teatro global versus teatro local. Nós e um Laço é teatro e ponto.

Sinopse

Ornella é uma mulher independente, designer de moda bem sucedida que busca um sonho mais alto: ter sua própria grife. Edvaldo é um chef de cozinha que sonha viver um grande amor. O encontro casual no Espírito Santo dá início a um relacionamento. Surgem, então, pequenos obstáculos, revelações do passado, rotina e divergências de interesses. Nós desatam. Laços ficam.

Ficha Técnica

Direção, Concepção de Cenário e Figurino e Operação de Luz: Lucas David
Elenco: Jonas Raitz e Juliana Araújo
Confecção de Cenário e Figurino: Adriane Ourício, Ângelo Marcos , Celinha , César, Jonas Raitz, Juliana Araújo, Lucas David e Mazza.
Concepção de Luz: Flávio Andrade e Lucas David
Dramaturgia: Jura Arruda
Direção Musical: Juninho Salves
Direção de estúdio: Erivan Piazera
Consultoria em Dança de Salão: Francine Borges e Maycon dos Santos
Fotografia: Renan Bejarano
Designer Gráfico: Ronaldo Diniz
Material Audiovisual: Hélio Costa
Produção Executiva e Operação de Som: João Daniel Zanella

Texto original e foto: Sincerando

Um comentário:

Juliana Yara Araujo disse...

Olá Fernando!

Agradecemos por todas as suas observações e palavras!
Até a próxima historinha!!!
Carinho,
Juliana Araujo