terça-feira, 29 de janeiro de 2013

De mãos beijadas

Fatos históricos explicam o porquê somos o pacífico povo brasileiro

É comum ouvirmos que o povo brasileiro é pacífico, que somos uma nação que só pensa em samba e futebol, ao contrário dos europeus que toda semana saem às ruas protestando por qualquer motivo.

Mas, se analisarmos a história brasileira, percebemos que a maioria de nossas conquistas foram dadas de mãos beijadas e não realmente conquistadas. Não podemos exigir da população uma atitude agressiva, revolucionária, pois tais costumes não pertencem a nossa tradição. Hábitos antigos dificilmente mudam, sejam eles de qualquer natureza. Pode dar certo no começo, mas raramente haverá efeito duradouro.

Nossa emancipação começa originalmente de uma Colônia Portuguesa, em que o próprio filho do rei de Portugal nos deu a Independência. Uma liberdade conquistada com evasiva rapidez.

Não houve participação popular no movimento que terminou com o regime monárquico e implantou a República, meramente no dia 15 de Novembro. Na atual Praça da República, o Marechal Deodoro da Fonseca, junto com um grupo de militares do exército, destituiu o imperador e assumiu o poder do país. Simples e corredio.

Na Europa, as leis trabalhistas vieram com a luta dos trabalhadores na Revolução Industrial, na qual a Associação dos Operários organizou o "movimento cartista", que exigia melhores condições de trabalho. Em contrapartida, no Brasil, a criação da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) não precisou de manifestações populares. Getúlio Vargas trouxe vários benefícios aos brasileiros sem que eles precisassem pedir.

A eleição direta para presidente, aquela em que candidatos políticos são eleitos diretamente pelo povo, não foi conquistada com o movimento das Diretas Já. Naquele ano, a eleição foi indireta e Tancredo Neves, líder da manifestação e depois presidente eleito, boicotou o movimento quando percebeu que ganharia pelo Colégio Eleitoral. Dessa forma, só em 1989 existiu uma eleição direita para presidente.

Foram 500 anos de comportamento padrão e quase homogêneo na história deste país, mesmo em meio a grandes corrupções não podemos esperar grandes atitudes de um povo que ganhou quase todos os seus direitos, e que até hoje não precisa lutar muito para obtê-los, tendo em vista todas as “bolsas ajuda” fornecidas pelo governo petista.


6 comentários:

Anônimo disse...

o problema é que as "bolsas ajuda" estão sendo custeadas a base de impostos muito altos e em cascata, o que vai matando a produção industrial e comercial.
Acontece que o PT só fica tirando daqui e colocando ali, só transfere para mascarar.
Eu acho que a passividade do Brasileiro vai além de uma condição cultural, ela advém da falta de instrução e da falta de conhecimento político, pois o povo sem conhecimento é uma massa de manobra fácil. È o que o PT faz, manobras: diminui a luz elétrica mas em contra-partida aumenta o combustível que é muito mais tributado, ou seja para o governo fica mais dinheiro, para nosso bolso fica sempre muito pouco.
E as "bolsas ajuda" são ferramentas de manobra política populesca...
Aqui ninguém manifesta, porque na verdade a maioria nem sabe o que está acontecendo, enquanto se preocupa somente com o que vai comer no almoço, e se vai comer na janta. OU qual será a próxima pedra. E enquanto esse povo está ocupado com a sobrevivência o PT segue se aproveitando da ignorância: quadrilheiros.

Boêmios disse...

De mãos beijadas, porém sujas.

http://saiadadonamaricota.blogspot.com.br/2013/01/de-maos-beijadas-porem-sujas.html

Bianca Queda disse...

Em resposta ao texto " De mãos beijadas, porém sujas"

Em consideração ao texto do autor pediria que o mesmo relesse o escrito “De mãos beijadas” após entender o conceito de povo em que me refiro. Trago para facilitar o significado de “Povo” pelo dicionário Silveira Bueno edição 2009 “Povo é a maioria de uma nação”. As únicas mãos sujas em que vejo na sua dissertação são a de uma elite intelectual brasileira, a minoria dentro dessa nação. Mesmo no período da ditatura militar quem sofreu as torturas foi a elite pensante. As pessoas que questionavam a ditatura eram professores, jornalistas, escritores, músicos, entre outros, uma camada muito específica comparada ao real povo brasileiro. E como mencionou “Maria Tereza Chaves de Mello, por exemplo, em seu livro “A república consentida” observa que a ideia positivista de Comte estava incorporada aos intelectuais da época. ” , você mesmo deixou bem claro que foram intelectuais que participaram da República. Em nenhum momento você mostrou em seu texto o movimento do povo, a maioria da classe brasileira. Pois você saber de uma discussão não quer dizer participar da discussão. Não digo que o povo estava alheio, porém eles não tinham o poder de decisão. Sua defesa é interessante, mas utilizou de argumentos equivocados para justificar a falta de compreensão de meu texto. Mas adoraria que pudéssemos discutir isso em um debate saudável.

juangarces disse...

Em resposta ao comentário:

Então, até aonde eu sei, os intelectuais fazem parte do povo, querendo ou não. Só porque ele é intelectual não quer dizer que ele não faça parte do povo. Se você usou um conceito de povo diferente, dito por algum dicionário, deveria ter deixado isso claro em seu texto. O mesmo vale para o exemplo da ditadura.

E realmente, saber da discussão não é participar dela, mas isso indica que houve alguma participação popular sim (nessa parte, estou excluindo os intelectuais), já que havia o interesse destes saberem. O povo não ter o poder de decisão não quer dizer que eles não tomaram de alguma maneira.

Acho que o maior problema que eu vi em seu texto foi generalizar o povo brasileiro como um todo, além de alguns argumentos históricos equivocados. Talvez se você tivesse reduzido a parcela, acho que ficaria mais claro a sua intenção.

Mas enfim, obrigado por responder de maneira saudável e não se exaltar pela minha crítica. Muitos imbecis levam para o lado pessoal.

Passar bem, querida.

juangarces disse...

Ah, lembrei de algumas coisas. Como o nosso objetivo não é matar um ao outro, gostaria de indicar algumas leituras, seguindo o conceito de povo que você utilizou, e também fugindo dos exemplos que você utilizou:

A REVOLTA DO VINTÉM E A CRISE NA MONARQUIA - Ronaldo Pereira de Jesus (encontra facil na net) Resumo: Este artigo analisa a Revolta do Vintém (1880) observando mais detidamente sua dinâmica cultural e social, para além da influência que exerceu sobre as instituições políticas na corte, com o intuito de ampliar o entendimento acerca da relação entre a coroa e as classes subalternas no período final da monarquia escravista.

Procure algo sobre a Revolta do Ronco da Abelha (1864-1870), foi uma revolta popular bem significativa. Balaiada, Sabinada e e a Praiera também teve grande participação popular.

Em relação à ditadura, leia o Brasil, nunca mais, do Dom Paulo Evaristo Junior. Além dos exemplos que eu citei, ele fala de pessoas "comuns" sendo torturadas e etc.

Tem muito mais, mas é isso que eu lembro. Se você tivesse deixado claro o conceito de povo que você tinha utilizado, a única coisa que mudaria era, em vez de tentar desconstruir o seu argumento com base nos fatos que você citou, eu dissertaria sobre outros casos para mostrar que a população brasileira não é tão passiva quanto você dissertou. Ainda vejo problemas eu seu texto.

Passar bem, querida.

Marcelo Sacconi disse...

Cada sábio com seu livro, julgo os 2 textos muito bons, cada um com seus pontos fortes e fracos.