terça-feira, 29 de outubro de 2013

Trabalho ou emprego, o que você quer?

Fernando Schweitzer



O que se ganha plantando uma árvore? Tecnicamente, muita coisa. Imediatamente, nada. A diferença entre emprego e trabalho, qual seria? Dentro da lógica moral: trabalhar dignifica o homem. Dentro da lógica real: trabalhar danifica o homem.

Várias estatísticas nacionais e no exterior afirmam que a quantidade de horas/dia média nos países da América "Latrina" são superiores a dos países nórdicos e escandinavos (ainda que os salário não cheguem na metade), aquele que não é a do Norte. A mesmíssima que tem crimes por homofobia, países com mais de 80% de cristãos, mais de 60% de analfabetos funcionais e promédio de 30% de pessoas abaixo da linha da pobreza.

Por que será que dentro desta lógica medieval de ultradireita, as pessoas não têm direito ao emprego, nem leis como na Islândia onde o seguro desemprego não tem prazo máximo como aqui, e garante 300 euros semanais? Talvez porque na lógica neoliberal brasileira ser a 6ª economia do mundo, e ter 1% da população controlando 95% do PIB seja motivo de orgulho.

Não nos garante qualidade de vida ser parte do tal BRAIC (Brasil, Rússia - nazista e neoliberal, África do Sul, Índia e China)... Pois estamos atrás de todos esses segundo as Nações Unidas no quesito IDH(Índice de Desenvolvimento Humano). O Brasil está atrás de quatro países da América do Sul, como Chile (40º lugar), Argentina (45º), Uruguai (51º) e Peru (77º). Entre outros vizinhos, fica na frente de Equador (89º) e Colômbia (91º).

O governo hoje comemora o aumento de trabalhadores com carteira assinada. Eu comemoraria o aumento do valor do salário, e óbvio não falo do mínimo. Penso no que não basta o salário, mas seria um bom começo. Países como a Argentina, hoje tem um salário mínimo convertido de R$ 877,16, e um custo de vida mais baixo, além de acesso irrestrito a educação universitário pela inexistência de processos exclusores limitatórios como o vestibular.

Em uma semana de protestos por direitos dos animais, gritos varguistas de "o petróleo é nosso" ninguém foi capaz de levantar um grito contra a lógica neoliberal que comanda o Brasil desde 1964, com a deposição do presidente democraticamente eleito, João Goulart. Este que a época estabeleceu um salário mínimo equivalente hoje a mais de R$ 1800,00.

Hoje pelo excesso de demanda, crise mundial, nacional, local, regional, continental, moral, institucional e talvez paranormal o emprego, com critérios básicos, salubridade e garantia legal de atender as necessidades mínima aceitáveis para sobrevivência digna inexiste. O que existe é um empregador opressor, que mais parecem os burgueses da pré-revolução francesa ou bolchevique.

Antes que os reaças de plantão venham me estorvar a mente, o caminho, e o planeta inconsciente e anestesiado pela pós-modernidade capitalista peço uma oração, para que os ainda não acéfalos ao fim digam "amém". Que o mal nunca perdure, que o bem por mais de um mandato dure... E que o Brasil tenho ao menos um candidato de esquerda para presidente em 2014, além das três candidaturas gêmeas que até então estão postas.

Enquanto escrevia esse artigo assistia um programa esportivo, para ver se me tornava algo alienado, e assim não chocar tanto os cidadãos do pseudo-país-livre que segue em ordem e progresso. Odeio ser irônico! Tanto quanto odeio ser sincero! Metade não entende, 2/4 não aprovam... 1,9078574% que ouvem, não fazem eco por comodismo...

O trabalho dignifica o homem? Talvez... Mas o real emprego é que nos tornará cidadão.

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