sexta-feira, 7 de junho de 2013

ADVB/SC reúne empresários para debater situação econômica catarinense

Leonardo Contin



Personalidades de vendas da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing de Santa Catarina (ADVB/SC) reuniram-se nesta quinta-feira, seis de junho, para debater o tema “Perspectivas e tendências do mercado catarinense”. O encontro ocorreu na sede da Komeco, em Palhoça, empresa que tem como sócio a personalidade de vendas 2013 da ADVB, Denisson Moura de Freitas. O evento foi acompanhado por empresários, estudantes e profissionais das áreas de comunicação, marketing e administração de empresas. A Coluna da Zona esteve presente e registrou alguns dos principais apontamentos dos empreendedores, que revelaram alguns de seus segredos de sucesso.

Antônio Koerich, das lojas Koerich, foi questionado sobre a forma como conduz uma empresa familiar tendo de enfrentar a concorrência de grandes cadeias internacionais de lojas. Ele explicou que o ponto fundamental é a integração da família. E lembrou que os investimentos em parcerias e o bom relacionamento com fornecedores e com as pessoas que dão a base de sua empresa também contribuem para enfrentar os “grandes mestres da concorrência”. Koerich revelou ter “um sentimento muito forte de religiosidade, o que me deixa confortável”. E alertou o empresariado: “não se pode pensar exclusivamente no lucro e no dinheiro, é preciso pensar nas pessoas que dão sustentação à nossa empresa”.

Décio da Silva, filho de um dos fundadores da WEG e Presidente do Conselho de Administração da gigante de motores – a maior exportadora de Santa Catarina em 2012 -, analisando o cenário econômico brasileiro atual, ponderou que “o governo agiu bem nos últimos anos, mas esse modelo de incentivo ao consumo está esgotado: temos muitos carros, mas não temos estradas”. Silva se mostrou preocupado com a falta de infra-estrutura (portos, aeroportos, rodovias), muito embora tenha constatado que o Brasil sofreu menos que outros países durante esse período de crise econômica mundial.

O anfitrião, Denisson Moura de Freitas, da Komeco – a única marca de condicionadores de ar genuinamente brasileira – destacou que o empresário brasileiro é obrigado a trabalhar mais que o empresário estrangeiro para se manter competitivo no mercado.

Já Hans Dieter Didjurgeit, da União Saúde, fez sua crítica ao modelo atual de saúde e educação pública no país: “no Brasil hoje é feita a gestão da doença, quando o correto era ser feita a gestão da saúde”. E foi enfático ao dizer que “o problema do SUS não é a falta de recursos, mas sim a falta de gestão”.

Do ramo de shopping centers, cujo lançamento mais recente do grupo foi o Continente Park Shopping, em São José, o empresário Jaimes de Almeida Júnior respondeu pergunta sobre a experiência de ter tido um sócio estrangeiro, o grupo australiano Westfield. Almeida Júnior falou da troca positiva de experiências e do espanto de investidores de fora com a capacidade do empresário brasileiro em enfrentar adversidades. O empreendedor – que é personalidade de vendas 2012 da ADVB/SC – também explicou que seu propósito é fazer de seu negócio “um meio de transformação social e não um mero empreendimento de cobrança de aluguéis: o shopping deve contribuir com o entorno da região em que está instalado”.

Reconhecido pelos símbolos norteamericanos marcantes que constrói nos pátios de suas lojas, Luciano Hang, da Havan, disse que sua meta é “tornar o Brasil o país com maior número de Estátuas da Liberdade do mundo”. E anunciou a inauguração, em breve, de novas lojas em Rondonópolis, Sinop e no estado de Goiás. Hang tem orgulho de ser empresário em Santa Catarina: “é um estado de excelência, de empreendedores natos”. Mas alertou: “a única coisa contra nós é a burocracia e o entrave governamental”. E encerrou sua fala sob aplausos quando disse que “nenhum empresário de fora entende tanto de Brasil quanto o empresário brasileiro”, dando a entender que o investidor brasileiro já está acostumado a driblar crises e que é quem mais conhece os anseios e dificuldades de seu público consumidor.

Empresário do ramo da gastronomia, Beto Barreiros falou sobre sua experiência enquanto comerciante e dos contra-tempos que vem enfrentando com a polêmica da licitação dos boxes do Mercado Público de Florianópolis – onde está localizado seu negócio: “o Mercado tem a mesma importância dos cemitérios e das igrejas: é ali que está guardada a memória da cidade”. Beto revelou que, caso perca a licitação de seu box no Mercado, buscará uma nova modalidade de comércio: pretende abrir uma rede de franquias do Box 32. E arrancou risadas do público ao brincar com a meta de Luciano Hang: “vocês ainda verão um Box 32 ao lado de cada Estátua da Liberdade no Brasil”.

Dois entraves são consenso entre os empresários presentes no evento: a burocracia – que atrasa e emperra investimentos – e a falta de infra-estrutura, que atrapalha sobremaneira as exportações e importação de matéria-prima. Todos se mostraram confiantes, porém, na criatividade e na forma como o empresário brasileiro se adapta e consegue contornar as crises – justamente pelo fato de terem de sair de crises com bastante frequência.


Na plateia, um dos participantes pediu dicas para aqueles que estão iniciando seu próprio negócio: "Trabalho, trabalho e mais trabalho. Se possível, trabalhe até 30 horas por dia”, concluiu Décio da Silva.



Foto: Leonardo Contin

2 comentários:

Salete Rodrigues Plácido disse...

Leonardo esse tipo de matéria e debate enriquece o empreendedorismo de nossos trabalhadores e trabalhadoras. Valeu!

Leonardo Contin da Costa disse...

Obrigado pelo elogio, caríssima colega Jornalista! Meu fraterno abraço!