segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Dicotomia

A sede de vitória é característica forte do ser humano. Ela mobiliza confrontos e, consequentemente cria inimigos, adversários. Calma! Calma! Não é uma apologia a Guerra e a troca de tiros entre “poliças” e “bondidos”. É um levantamento singelo, uma apuração mínima do que acontece entre gregos e troianos. Histórias fundamentais que permitem a dicotomia. Se tu quiseres entender o termo entra no dicionário e veja: está bem, está bem! Crônica é cultura. Vou explicar o que pode ser dicotômico no próximo parágrafo.

Iniciemos com uma hipnose: você está atravessando o deserto do Saara há três horas. Está só e acaba de engolir a última gota de saliva. Sente sede, muita sede. Repentinamente uma geladeira com Coca-cola e Pepsi surge a sua frente. Você não conhece as duas marcas e pensa que está rico, pois encontrou petróleo enlatado. Tempos depois a morre te leva embora. Faltou o trabalho do marketing. Alguém que mostrasse a você os dois lados da mesma moeda. Faltou dicotomizar. “Já pensou que pode ser pode ser muito bom? A Pepsi já entendeu que é segunda opção. Enquanto isso a Coca se preocupa em ressaltar que “para cada pessoa dizendo que tudo vai piorar, 100 casais planejam ter filhos”, ou seja, para cada jornalista existe 100 dos nossos avós. A marca sabe que a concorrência vem forte e investe em campanhas sociais. Aguardemos os próximos capítulos.

Dicotômico também foram o janismo e adhemarismo na cidade de São Paulo quando este mundo estava em seu 20º século. No livro O trevo e a vassoura, Gabriel Kwak, retrata, já no prefácio, que os combatentes políticos estavam carregados de intenções, “um se favorecia da derrota do outro. Como ferozes adversários conquistavam mentes e corações”. Agradecidos os eleitores da época que optavam pela varredura de Jânio ou trevo-de-quatro-folhas de Adhemar. Salve a dicotomização da política. Aliás nesse campo é bastante comum encontrarmos as competições. Quem se lembra de Getúlio Vargas pode se lembrar de Carlos Lacerda. Este foi o clássico do cenário político, um verdadeiro “pega pra capa”. Recentemente as lutas são entre os petistas e os tucanos (não as aves, os políticos). E não bastasse o fogo cruzado entre os dois partidos, a briga também é interna. Aécio Neves e José Serra que se entendam.

No futebol é redundância destacar flaflu, grenal ou bavi. Então recorramos aos presidentes do São Paulo e do Corinthians. Juvenal Juvêncio e André Sanches. Os cartolas impossibilitam que o “curingão” realizasse seus jogos no estádio do Morumbi. Agora, o Corinthians constrói sua arena e visa à abertura da Copa do Mundo. Salve o tricolor paulista! Salve o Corinthians! Coincidência ou não, os hinos desses clubes têm um vernáculo em comum deste léxico que usamos para nos expressarmos e para lermos. Salve-se quem puder e for mais rápido!

Invariavelmente a briga, competição, disputa, batalha, confronto, luta, embate, desafio – haja sinônimos – é por motivos de força maior: poder. Ninguém quer se cansar em vão. O bom é bater com gosto mesmo.

Nícolas David

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